Imagens e Sons do Antropoceno

BRASIL – SÃO PAULO

Museu da Imagem e Som - MIS

O Museu da Imagem e Som de São Paulo — MIS é um dos espaços culturais mais importantes e atuantes da cidade, espaço-chave para a Mostra Internacional de Cinema, sendo o museu que realizou exposições de grande público sobre Stanley Kubrick, David Bowie, Rita Lee e B.B. King, entre outras.

De 12 de setembro a 8 de outubro de 2023 o museu recebeu a exposição “Imagens e Sons do Antropoceno,” realizada pela TIME TO ACT!, oferecendo ao espectador experiências sensoriais sobre o meio ambiente, por meio da arte, música, história e entretenimento.

A proposta é trazer uma forma contemporânea de educação, experiências audiovisuais impactantes, sobre as consequências das mudanças climáticas para a cidade de São Paulo, onde está localizado o museu, a maior cidade da América Latina e uma das maiores em população do mundo.

Por meio de documentários, uma sala imersiva e filtros de expressão interativos, a exposição busca realizar mudanças de comportamento para a fundamental participação de cada indivíduo na desaceleração do aquecimento global e na realidade local da cidade que sofre com a poluição do ar, alagamentos e urbanização desordenada.

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SÃO PAULO e a EMERGÊNCIA CLIMÁTICA

São Paulo e sua região metropolitana com 38 municípios são o lar de 20,8 milhões de pessoas, habitantes de um território diverso e desigual sob alto impacto das mudanças climáticas com intenso e crescente adensamento urbano.

A cidade sofre com a poluição do ar causada pela grande quantidade de veículos em circulação, afetando a qualidade de vida de seus moradores e usuários, na forma de problemas respiratórios e de saúde. São frequentes as enchentes e alagamentos durante períodos de chuvas intensas, reflexo de uma urbanização desordenada com impermeabilização do solo, agravados pela falta de áreas verdes e de sistemas de drenagem insuficientes. A concentração absurda de edifícios, ocupando bairros e zonas tradicionalmente residenciais, junto ao asfalto e concreto nas áreas urbanas, contribui para as ilhas de calor, oferecendo um desnível de 10°C de temperatura entre a zona urbana adensada e o cinturão verde e mata atlântica no seu entorno. Esse desconforto térmico aumenta o consumo de energia para refrigeração e problemas de saúde.

O risco presente de escassez de água, ofereceu a São Paulo crises hídricas significativa em anos recentes devido à combinação do desmatamento no entorno de seus mananciais, pressionados por uma urbanização descontrolada, e insuficiente gestão de seus recursos hídricos. A supressão de vegetação na zona urbanizada e seu entorno levou a perda de biodiversidade local, com redução da área de habitats naturais, ameaçando as espécies locais, trazendo impactos significativos nos ecossistemas urbanos.

São Paulo precisa enfrentar a Emergencia Climatica com a redução das emissões de gases de efeito estufa e aumento de sua resiliência aos temporais e demais ocorrências climáticas. Reduzir as emissões da frota de veículos particulares e de transporte público envolve a substituição de gasolina, óleo diesel e demais combustíveis fósseis por combustíveis não fósseis. O incentivo econômico ao uso do Etanol e demais energias renováveis se fazem necessários, somados a melhoria da eficiência energética dos veículos. Diminuir o uso de automóvel é um imperativo. A cidade precisa promover a mobilidade sustentável com melhoria do transporte público, incentivo ao uso de bicicletas e caminhadas, e reduzir a dependência de veículos particulares e, consequentemente, as emissões de poluentes.

A gestão de resíduos deve incentivar a coleta seletiva, a reciclagem e a redução do desperdício, bem como transformar o cidadão em um consumidor responsável, com incentivo ao comércio local.

São Paulo tem poucas árvores e florestas. A cidade precisa aumentar muito a quantidade de áreas verdes e arborização urbana , bem como restabelecer as áreas de preservação permanente em torno de seus mananciais para mitigar os efeitos das ilhas de calor e melhorar a qualidade do ar. Já os desafios de uma cidade mais resiliente às enchentes passam pela melhoria dos sistemas de drenagem, redução da impermeabilização do solo e aumento das áreas de retenção de água.

As residências, demais estabelecimentos e a iluminação pública na cidade precisam ser amparados por uma melhor eficiência energética com usos de lâmpadas, equipamentos e eletrodomésticos de baixo consumo de energia. A cidade precisa promover adoção de moradias, negócios e serviços baseados na natureza.

Para São Paulo enfrentar as mudanças climáticas, a cidade precisa de novas políticas públicas de conscientização da população sobre os desafios das mudanças climáticas com ações de educação ambiental e incentivos aos moradores a adotarem práticas mais sustentáveis para uma melhor vida na sua cidade.

A esse conjunto de ações se adiciona uma especial atenção à justiça climática , com medidas de redução da desigualdade da condição de vida dos habitantes da cidade. A vulnerabilidade aos impactos do clima precisa ser igualmente dividida entre todas as classes de renda e bairros da cidade. Essas medidas representam um propósito de uma cidade melhor para todos, em um Estado e país mais resiliente e justo para a sua população.

Luiz Villares, agosto 2023

Luiz Villares é especialista em gestão de projetos socioambientais na Amazônia. Escreve textos e ensaios para revistas e publicações científicas. Graduado em Administração de Empresas, com Mestrado em Gestão Internacional "com distinção", dedicou seus últimos 20 anos a projetos e entidades na Amazônia, sobretudo na Fundação Amazônia Sustentável. É fundador da Manauara Associação Comunitária e Conselheiro Fiscal do Instituto CERTI Amazônia e Instituto 5 Elementos. Pesquisador, dentre suas publicações destacam-se temas como Blockchain, sustentabilidade, Amazônia e mudanças climáticas.